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“Fui Eu Que Pedi”: A Perspectiva de Crianças e Adolescentes Sobre a Dissolução da Adoção

Jussara Glória Rossato, Eduarda Lima de Oliveira, Vera Regina Röhnelt Ramires, Denise Falcke

Resumo


Ainda que não exista previsão legal, crianças e adolescentes vivenciam o processo de dissolução da adoção. Na literatura, a vivência subjetiva de crianças e adolescentes frente ao fenômeno tem sido pouco abordada. O presente estudo objetivou conhecer as vivências de crianças e adolescentes que retornaram ao acolhimento após a adoção, além de compreender sua percepção sobre família e as expectativas sobre o futuro. Realizou-se uma pesquisa qualitativa exploratória com três crianças e uma adolescente em uma instituição de acolhimento da região metropolitana de Porto Alegre/RS. Os dados obtidos em entrevistas semiestruturadas e hora do jogo foram examinados por meio de análise temática. Os resultados foram agrupados em quatro temáticas: 1) concepções de família; 2) experiência de adoção; 3) experiências de retorno ao acolhimento; 4) perspectivas de futuro. Identificou-se que as crianças idealizam a família nuclear, amorosa, e avaliam que a decisão de retorno para o acolhimento foi delas, embora suas perspectivas de futuro sejam centradas na expectativa de uma nova adoção. Constatou-se que a experiência de adoção e retorno para o acolhimento é permeada de sofrimento, o que demanda a criação de políticas públicas de atenção a crianças e adolescentes nesse contexto.

Palavras-chave


crianças; adolescentes; adoção; dissolução na adoção.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/riep.v27i1.80247