As contingências do trabalho bancário: Um estudo sobre os mecanismos de mediação e defesa do sofrimento.

Denise Macedo Ziliotto, Anderson Gonsalves Jaques

Resumo


O setor bancário sofre mudanças importantes desde a reestruturação produtiva na década de 90, implicando redução significativa no contingente de trabalhadores e transformações na organização do trabalho. Estas contingências impactam na saúde mental do bancário, sendo relevante investigar os mecanismos de mediação e defesa do sofrimento utilizados pelos trabalhadores diante deste contexto. Esta pesquisa descritiva, de abordagem qualitativa, foi realizada por meio de entrevistas com bancários de instituição privada de atuação nacional, submetidas à análise de conteúdo. A investigação identificou os efeitos da organização do trabalho, onde as premissas da gestão geram importante individualização do trabalho, pois o bancário é tensionado pela pressão da meta e pela necessidade de reconhecimento. Há mobilização subjetiva no sentido de tentar mediar o sofrimento decorrente da dinâmica do trabalho, como evidenciado na superficialidade afetiva e no isolamento que busca dar conta da demanda de atribuições imposta, o que se reflete na condição de atendimento aos clientes. Dentre as estratégias de mediação presentes nas experiências dos participantes estão a cooperação, a inteligência prática e a transgressão; como mecanismos de defesa, foram identificados o cinismo viril, a insensibilidade afetiva, o isolamento e o adoecimento psíquico.


Palavras-chave


bancários; mecanismos de defesa; sofrimento psíquico; trabalhador

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/psi.v21i1.45308

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