A família humana vista da perspectiva etológica: natureza ou cultura?

Vera Sílvia Raad Bussab

Resumo


O objetivo do presente trabalho foi aplicar a perspectiva etológica para a compreensão psicológica da família, considerando-se as interações da natureza humana com os ambientes de desenvolvimento. A concepção da família como uma instituição puramente cultural, sem qualquer fundamentação biológica, com base nas constatações de abandonos e de infanticídios, foi reexaminada. O apego foi apresentado como o mecanismo psicológico básico subjacente à constituição da família. Na evolução homínida, em contraste com a dos demais primatas, ocorreu uma intensificação dos laços familiares e dos cuidados parentais, com aumento dos já intensos cuidados maternos típicos de primatas e também com introdução de cuidados paternos, raros entre os grandes antropóides. O apego foi apresentado como um impulso primário, e foram analisadas as condições essenciais para seu desenvolvimento. As características universais na formação de vínculos afetivos, no desenvolvimento de medo de estranhos e de ansiedade de separação foram examinadas. A existência de período sensível perinatal, durante o qual a convivência é facilitadora da formação do vínculo mãe e bebê foi destacada para ilustrar a interação entre efeitos genéticos e ambientais. Foram consideradas as relações entre parentesco, convivência e formação de laços de família. Os fenômenos analisados puderam demonstrar a existência de predisposições naturais para a vinculação familiar assim como para revelar as complexas interdeterminações entre a natureza e a cultura. Serviram também para mostrar a necessidade da busca de uma lógica própria da nossa natureza e das considerações sobre o ambiente natural em contraste ao ambiente contemporâneo de desenvolvimento.

 

Palavras-chave: família, apego, bases biológicas.

 

 


Palavras-chave


família; apego; bases biológicas

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/psi.v4i1.3322

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