Simondon e os sentidos da individuação biológica

Dina Czeresnia

Resumo


Este texto destaca a importância do trabalho de Gilbert Simondon para se repensar a individualidade
biológica em uma nova base filosófica. Na constituição das ciências da vida, o caráter relacional dos processos
biológicos foi obscurecido por um deslocamento de sentidos, que ocorreu como um aspecto da construção mais
ampla da individualidade moderna no século XIX. Biólogos teóricos recuperam a importância da noção de relação,
reivindicando uma nova concepção de interação biológica, assim como dos conceitos de organismo, adaptação,
informação, evolução. O pensamento de Simondon vai ao encontro dessa perspectiva, propondo uma epistemologia
que afirma o caráter primordial da relação nos processos de individuação. Sua ontologia tem surpreendente afinidade
com a elaboração dessa vertente contemporânea da biologia teórica, sustentada por evidências empíricas da biologia
molecular. No entanto, elementos centrais da ontologia de Simondon, mesmo buscando dialogar com a ciência,
situam-se em uma metafísica, abordando questões de fronteira nas ciências da vida e na relação entre ciência e filosofia.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/dp.v16i2.70250

Indexado por: CLASE. Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades