Uma comunidade científica invisível para si mesma?

os principais sistemas de busca acadêmica das revisões sistemáticas lusófonas na Comunicação e Informação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/atoz.v14.93993

Palavras-chave:

Revisão sistemática de literatura, Metodologia, Sistemas de busca acadêmica, Informação, Comunicação

Resumo

Introdução: Problemas e limitações derivados da economia política subjacente aos sistemas de busca acadêmica demonstram a necessidade de uma avaliação crítica dos principais sistemas utilizados para a realização de revisões sistemáticas de literatura em cada área de conhecimento. Diante disso, o objetivo deste trabalho é realizar um estado da arte das revisões sistemáticas de literatura lusófonas na área da Comunicação e Informação, identificando os sistemas de busca mais utilizados. Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura a partir de quatro sistemas de busca (Web of Science, Scopus, Directory of Open Access Journals e Scientific Eletronic Library Online), sob limitação temporal (2010-2021). Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados e analisados 49 trabalhos. A análise passou por testes de confiabilidade e buscou identificar os sistemas de busca mais utilizados. Resultados: Os resultados revelaram que o sistema de busca acadêmica mais utilizado, o da Web of Science, confere baixa visibilidade à área em estudo. Conclusão: Esses resultados sugerem um tipo de invisibilidade autoproduzida da produção intelectual lusófona na área da Comunicação e Informação, que, ao favorecer um sistema de busca no qual sua produção não ganha destaque, contribui para sua própria invisibilidade. Discutimos os problemas daí resultantes e estratégias para RSLs capazes de fortalecer a produção científica da Comunicação e Informação.

 

Biografia do Autor

Diógenes Lycarião, Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza, Ceará

Professor Adjunto do Curso de Jornalismo do ICA-UFC e Pesquisador Permanente do PPGcom-UFC. Ciclo de formação: bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela UFC, mestre e doutor em Comunicação Social pela UFMG. Realizou estágio pós-doutoral na UFF e dois estágios sanduíches. O primeiro, durante o mestrado, na UFBA e o segundo, no doutorado, na Universidade de Mannheim. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Comunicação Política, possuindo mais de duas dezenas de trabalhos publicados na área, inclusive em alguns dos periódicos de maior impacto na área da Comunicação. Sua produção científica trata principalmente dos seguintes temas: sistema mediático, comunicação das mudanças climáticas, redes sociais online, jornalismo, análise de conteúdo e esfera pública. Coordenador de Comunicação e Divulgação Científica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT/DSI). Membro da equipe do projeto Raumkonflikte und Klimagerechtigkeit in sozialen Medien (Espaços de conflito e justiça climática nas mídias sociais), (https://www.polsoz.fu-berlin.de/kommwiss/arbeitsstellen/kommunikationstheorie/forschung/SFB_Raum/index.html). É líder do Gruppocom (http://www.gruppocom.ufc.br), vice-coordenador do GT Comunicação da Ciência e Políticas Científicas da Compós e coordena o Projeto de Extensão Divulgação científica através de plataformas online (https://gruppocom.ufc.br/pt/projeto-de-extensao/). Em 2021, a dissertação da orientanda Thatiany do Nascimento foi premiada na categoria Melhor Dissertação pelo Prêmio Compolítica de Teses e Dissertações. Integrou a diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política entre 2021-2023, ocupando a função de secretário-executivo. Possui perfil e outras informações no Google Acadêmico (https://scholar.google.com.br/citations?user=cJTbIcwAAAAJhl), Publons (https://publons.com/researcher/1431687/diogenes-lycariao/) e Orcid (https://orcid.org/0000-0002-8924-7442).

Thaiane Oliveira, Universidade Federal Fluminense (UFF), Niterói-Rio de Janeiro, Brasil

Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e professora permanente do programa de Pós-graduação em Comunicação pela mesma instituição. Coordenadora do Laboratório de Investigação em Ciência, Inovação, Tecnologia e Educação (Cite-Lab). Membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências. Pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Estudos Comparados em Administração de Conflitos (INCT-InEAC) e pesquisadora da Cátedra Unesco de Políticas para o Multilinguismo da Unesco. É membro do Global Artificial Intelligence Network for Social Good, do programa Information For All Programme, da Unesco. Fundadora da rede Latmetrics, consolidada em 2018, que reúne mais de 200 pesquisadores da América Latina para discutir e desenvolver métricas e indicadores alternativos para avaliação da ciência. Co-coordenadora de projeto de cooperação internacional com a Universidade de Zurique (Suíça) sobre Teorias da Conpiração relacionadas à ciência a partir de perspectiva comparada e é membro de projetos de cooperação internacional com India Centre of Excellence in Information Ethics (ICEIE), Centre for Digital Learning, Training and Resources (CDLTR), University of Hyderabad (India), Information Ethics Network for Africa (IEN4A), Future Africa, University of Pretoria (South Africa), Russian National IFAP Committee, Interregional Library Cooperation Centre (Russian Federation), International Centre for Information Ethics (ICIE) e l?Institut International de la Recherche Scientifique (Morocco), além de coordenação de projetos nacionais envolvendo diversas instituições do Brasil. Tem pesquisado desinformação relacionada à ciência, disputas globais, políticas e epistêmicas sobre a informação científica e os processos interacionais na produção do conhecimento, a partir de uma perspectiva voltada desenvolvimento estratégico da comunicação e tecnológico para enfrentamento à desinformação, com foco em administração de conflitos informacionais. Seus atuais interesses de pesquisa são: desinformação relacionada à ciência, disputas sobre a informação e comunicação científica, educação científica e circulação e políticas de avaliação da produção de conhecimento.

Rafael Cardoso Sampaio, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Paraná

Professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Ciência Política (UFPR) e do Programa de Pós-graduação em Comunicação Social (UFPR). Pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD). Coordenador do grupo de Pesquisa Comunicação Política e Democracia Digital (COMPADD). Editor da revista Internet e Sociedade do InternetLAB. Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA. Foi presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (Compolítica). Já atuou como consultor do Banco Mundial, Bertelsmann Foundation (Alemanha), Adam Smith International (Reino Unido) e já foi assessor de pesquisas do Comitê Gestor da Internet (CGI.br), Labhacker (Câmara dos Deputados), W3C Brasil e Centro de Estudos sobre Tecnologias Web, e Transparência Internacional. Tem experiência nas áreas de Comunicação Política e Democracia Digital com ênfase em campanhas digitais, e-participação, deliberação e conversações on-line, governo aberto, orçamentos participativos digitais e inteligência artificial.

Francisco Robson Roque, Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza-Ceará, Brasil

Doutorando em Comunicação na Universidade Federal do Ceará (UFC), Mestre em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Especialista em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais pela Universidade Estácio de Sá (UNESA) e em Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas (UniAmérica). Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Cariri (UFCA) e em História pela Universidade Regional do Cariri (URCA). Integrante do Grupo de Pesquisa PráxisJor (UFC/CNPq) e do Grupo de Pesquisa em Processos Jornalísticos e Inovação - PROJI (UFCA/CNPq). Interesses de pesquisa: Plataformização, Jornalismo Independente, Jornalismo de Olhar Periférico e Midiatização.

Débora Silva Costa, Universidade Federal do Ceará (UFC), Fortaleza-Ceará, Brasil

Analista censitária - jornalista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Superintendência Estadual do Ceará (IBGE - SES/CE). Doutoranda ingressante em 2020 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC), na Linha de pesquisa Mídia e práticas socioculturais. Integrante do Grupo de Pesquisa em Política, Opinião Pública e Comunicação (Gruppocom). Professora substituta de 2016 a 2018 no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA), setor de estudos Radiojornalismo. Mestre em Comunicação em 2016 pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Linha de pesquisa Mídia, Linguagens e Processos Sociopolíticos, com bolsa do CNPq. Graduada em 2013 no Curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Tem interesse no estudo da relação entre Comunicação e Religião, Comunicação e Política, Radiojornalismo, Cibercultura, Mídias Alternativas, Movimentos Sociais, Coronelismo Eletrônico e Teologia. E-mail para contato: debora-s.costa@hotmail.com

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Publicado

2026-01-06

Como Citar

Lycarião, D., Oliveira, T., Sampaio, R. C., Roque, F. R., & Costa, D. S. (2026). Uma comunidade científica invisível para si mesma? os principais sistemas de busca acadêmica das revisões sistemáticas lusófonas na Comunicação e Informação. AtoZ: Novas práticas Em informação E Conhecimento, 14, 1–11. https://doi.org/10.5380/atoz.v14.93993

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Seção

Artigos