Da representação ao monitoramento: a criação de uma ontologia do discurso de ódio online brasileiro

Luiz Rogério Lopes Silva, Rodrigo Eduardo Botelho-Francisco

Resumo


As expressões de discurso de ódio em comunidade online promovem um desserviço a saúde das relações e ampliam a desigualdade social ao reforçarem estereótipos e discriminações. Empresas de Redes Sociais Digitais (RSD), organizações de Direitos Humanos e governos de vários países, inclusive o Brasil, têm encontrado dificuldade em estabelecer ações estratégicas que auxiliem na identificação e contenção do fenômeno. A massa de dados com conteúdo intimidador às minorias historicamente marginalizadas (mulheres, negros, comunidade LGBTI, etc.) provou-se multifacetada e complexa, exigindo um esforço permanente no aperfeiçoamento de tecnologias de identificação e moderação de publicações e comentários em sites como Facebook, Youtube e Twitter. Este estudo consiste na criação de um vocabulário controlado do discurso de ódio online brasileiro, valendo-se das ontologias. O objetivo é propor representação da informação a partir do corpo supervisionado do discurso de ódio no Brasil. O estudo defende a tese que as relações associativas em banco de dados dos RDS quando legitimadas numa ontologia atrelada ao contexto brasileiro e a língua portuguesa corroboram ao conhecimento da problemática do ódio e consequentemente a produção de estratégias mais assertivas à manutenção da tolerância em ambientes online. A ontologia servirá como substrato estratégico na identificação, moderação e combate ao fenômeno por meio de um repositório online colaborativo capaz de analisar e classificar expressões que fomentem o ódio e a violência contra grupos específicos. A metodologia tem perspectiva netnográfica visando uma descrição densa do fenômeno, bem como a organização de categorias de analise submetidas ao escrutínio e a participação cidadã por meio de uma plataforma pública. Espera-se que as análises e ferramentas desenvolvidas pelo trabalho possam contribuir com os estudos de discurso de ódio online e encorajar ações e políticas que minimizem os aspectos nocivos no que tange os ideais democráticos e o respeito à dignidade humana.

Palavras-chave


Discurso de ódio; Ontologia; Plataforma colaborativa; Representação; Monitoramento.

Texto completo:

PDF

Referências


Almeida, M. B., & Bax, M. P. (2003). Uma visão geral sobre ontologias: pesquisa sobre definições, tipos, aplicações, métodos de avaliação e de construção. Ci. Inf., 32(3), 7-20. Recuperado de http://mba.eci.ufmg.br/downloa ds/19019.pdf

Araújo, C. A. Á. (2012). Paradigma social nos estudos de usuários da informação: abordagem interacionista. Informação & Sociedade, 22(1), 145- 159. Recuperado de http://www.periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/arti cle/view/9896

Bem-David, A. & Matamoros-Fernandez, A. (2016). Hate speech and covert discrimination on social media: Monitoring the Facebook pages of extreme-right political parties in Spain. International Journal of Communication, 10, 1167- 1193. Recuperado de https://ijoc.org/index.php/ijoc/article/view/3697

Benevenuto, F., Almeida, J. M., & Silva, A. S. (2011). Explorando Redes Sociais Online: Da Coleta e Análise de Grandes Bases de Dados às Aplicações. Minicursos Livro Texto, 63–101.

Boyd, D., & Ellison, N. (2007). Social Network Sites: Definition, history and Scholarship. Journal of Computer-Mediated Communication, 13(1), p. 210–230. Recuperado de http://dx.doi.org/10.1111/j.1083- 6101.2007.00393.x.

Castells, M. (2003). A galáxia Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Castells, M., & Cardoso, G. (2006). A sociedade em rede: do conhecimento à acção política. Lisboa: Casa da Moeda.

Castells, M. (2013). Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Tradução de Carlos A. Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar.

Davenport, T. H., Marchand, D. A., & Dickson, T. (2004). Dominando a gestão da informação. Porto Alegre: Bookman.

Facebook (2018). Padrões da Comunidade. Recuperado de https://www.facebook.com/communitystandards/

Goldschmidt, R. R., & Passos, E. P. L. (2005). Data mining: um guia prático - conceitos, técnicas, ferramentas, orientações e aplicações. Rio de Janeiro: Campus.

Holgate, L. (2004). Creating and using taxonomies to enhance enterprise search. Information Today, 7(21).

Kozinets, R. V. (2010). Netnografia: a arma secreta dos profissionais de marketing: como o conhecimento das mídias sociais gera inovação. Recuperado de http://kozinets.net/wp-content/uploads/2010/11/netnografia_p ortugues.pdf.

Mattelart, A. (2002). História da sociedade da informação. São Paulo: Loyola. Neuendorf, K. (2002). The content analysis guidebook. Thousand Oaks, California: Sage Publications.

Parreiras, F. S. (2004). Introdução à engenharia de ontologias. In Anais do Simpósio Mineiro de Sistemas de Informação, Belo Horizonte: Cotemig, 2004. Recuperado de http://www.fernando.parreiras.nom.br/palestras/en geonto.pdf

Quivy, R. & Campenhout, L. V. (2008). Manual de investigação em ciências sociais (2a ed.). Lisboa: Gradiva.

Recuero, R. (2009). Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina.

Recuero, R. (2012). A conversação em rede. Porto Alegre: Sulina.

Rheingold, H. The virtual community. (1998). Recuperado de http://www.rheingold.com/vc/book/

Santos, M. A. M. (2016). O discurso de ódio em Redes Sociais. São Paulo: Lura Editorial.

Sloan, L. & Quan-Haase, A. (2016). The Sage handbook of Social Media. Sage. Recuperado de https://dx.doi.org/1 0.4135/9781473983847

Smith, B. (2003). Ontology. In: FLORIDI, L. Blackwell guide to the philosophy of computing and information. Oxford: Blackwell, 155-166. Recuperado de http://ontology.buffalo.edu/smith/articles/ontology_pic.pdf

Valentim, M. (Org). (2010). Gestão, mediação e uso da informação. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 390 p.

Wurman, R. S. (2005). Ansiedade de informação 2: um guia para quem comunica e da instruções. São Paulo: Editora de Cultura.




DOI: http://dx.doi.org/10.5380/atoz.v7i2.67243

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Serviços de indexação e agregadores

Web of Science
Directory of Open Access Journals
Sumários.org: sumários de revistas brasileiras
Google Acadêmico
LivRe! Portal para periódicos de livre acesso na Internet
InfoBCI
Latindex Catálogo
Bielefeld Academic Search Engine
INFOBILA: Información Bibliotecológica Latinoamericana
REDIB (Red Iberoamericana de Innovación y Conocimiento Científico)
Brapci (Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação Brapci (Base de Dados Referencial de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação

Universidade Federal do Paraná
Mestrado e Doutorado Interdisciplinar em Gestão da Informação
ISSN: 2237-826X
Qualis (2013-2016):
B2 - Comunicação e Informação
B4 - Planejamento Urbano e Regional/Demografia; Saúde Coletiva; Interdisciplinar
B5 - Arquitetura, Urbanismo e Design; Engenharias III
Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional
Esta obra foi licenciada sob uma Licença
Creative Commons Atribuição 4.0 Não Adaptada