Insulamento burocrático, inserção social e políticas públicas no Brasil: O caso do CrediAmigo

Autores

  • Silvio Salej
  • Jorge Neves

DOI:

https://doi.org/10.5380/rsocp.v24i59.48705

Resumo

O artigo analisa a proposta metodológica do CrediAmigo, programa de Microcrédito do Banco do Nordeste (BNB). Visamos identificar os fatores organizacionais que tornam viável a proposta do ponto de vista financeiro e social. O trabalho utiliza dois tipos de dados: secundários, sobre os montantes e inadimplência da operação (fornecidos pelo BNB), e primários, fruto de observação participativa do processo de operação, aplicação da metodologia e percepções dos próprios clientes. O principal achado sustenta a hipótese do insulamento burocrático e da inserção social. O BNB só consegue viabilizar a operação após um longo processo de aprendizado, no qual foi criado um corpo burocrático ad hoc, diferente dos funcionários de carreira do Banco, gerenciado por uma Organização Não Governamental, o Instituto Nordeste Cidadania (INEC), fundada pelo próprio BNB. A burocracia do INEC tem um perfil de formação adaptado aos setores sociais que subsistem na economia informal. Os resultados ampliam a unilateralidade de outros estudos sobre o CrediAmigo. Do ponto de vista sociológico, concluímos que a dimensão institucional-organizativa é um fator-chave para explicar a viabilidade da operação do microcrédito. Muito além da ideia simples de que as organizações só reduzem custos de transação, as instituições forjam aprendizados e criam habilidades de trabalho em seus funcionários. 

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Publicado

2016-09-30

Como Citar

Salej, S., & Neves, J. (2016). Insulamento burocrático, inserção social e políticas públicas no Brasil: O caso do CrediAmigo. Revista De Sociologia E Política, 24(59), 3–23. https://doi.org/10.5380/rsocp.v24i59.48705

Edição

Seção

Artigos Originais