A social-democracia do MAS boliviano

Guilherme Simões Reis

Resumo


O partido MAS, que governa a Bolívia e é liderado pelo presidente Evo Morales, geralmente é classificado como populista ou como revolucionário. Este artigo contesta ambos os diagnósticos, e sustenta que o MAS é um partido social-democrata. Tanto em sua gênese, como em seu comportamento na oposição, como em suas políticas no governo, o MAS apresenta todas as características necessárias para ser classificado como um representante da social-democracia. Para contestar os diagnósticos predominantes na literatura, o argumento desenvolve-se aplicando três distintas abordagens sobre a social-democracia. Uma comparação histórico-ideológica com os partidos tradicionalmente apontados como social-democratas mostra que o MAS assemelha-se a eles tanto em sua origem fortemente sindical como no tipo de mudança que introduziu na política do país. Uma análise institucional mostra que não procedem as acusações de que é antissistema e contrário à democracia, características associadas tanto aos "populistas", de acordo com "teóricos das duas esquerdas latino-americanas", como aos partidos adeptos da "revolução violenta". Por fim, uma análise das políticas adotadas pelo MAS no governo indica que estão alinhadas com aquelas consideradas como social-democráticas no contexto de integração dos mercados globais. Argumenta-se no texto que o MAS não é em geral classificado como social-democrata, em parte devido a uma visão equivocada sobre suas práticas, e em parte por uma tendência dos estudiosos a chamarem a atenção para o que lhe é específico, e não para o que ele tem em comum com outros partidos de esquerda, como é feito com quaisquer partidos ao catalogá-los em famílias.


Palavras-chave


MAS; social-democracia; Bolívia; partidos políticos; socialismo; democracia.

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Revista de Sociologia e Política. ISSN: 0104-4478 (versão impressa)
1678-9873 (versão online)