Perfis e itinerários de mulheres intérpretes do Maranhão

Andressa de Carvalho Machado, Eliana Tavares dos Reis

Resumo


Propomos neste artigo a apresentação de uma reflexão sobre as condições de afirmação de elites intelectuais no Maranhão, abordando as imbricações entre domínios culturais e políticos a partir da análise de mulheres que ocupam posições bem-alocadas como intérpretes da cultura no/do estado. São analisadas oito agentes que se destacam particularmente na elaboração e produção de bens simbólicos, ocupando cargos de gestão de políticas públicas e a direção de instituições culturais, estando nos domínios da cultura maranhense a partir de diferentes meios de expressão: literatura (Arlete Nogueira Machado), artesanato (Déborah Baesse), artes plásticas (Rosilan Garrido), “patrimônio” (Kátia Santos Bogéa), culinária (Zelinda Lima), artes cênicas (Lenita Estrela de Sá), música (Rosa Reis) e “cultura popular” (Maria Michol Pinho de Carvalho). Tomando este universo como referência, buscamos mapear seu perfil social, cultural e profissional, bem como indicar pistas sobre os condicionantes de socialização e seus posicionamentos em relação à “cultura” do estado. Por esse intermédio, apreendemos ainda quais os recursos equivalentes ou distintivos que elas possuem em relação aos seus homólogos homens, como certas disposições sociais se refletem em determinadas modalidades ou posicionamentos por elas assumidos e que trunfos mobilizam nas disputas em torno da definição de “cultura” das quais elas participam, o que conduz a problematizar, com alguns limites, as “questões de gênero” que estruturam as inscrições e tomadas de posição dessas agentes. Tais aspectos nos permitiram uma compreensão inicial dos processos de definição das concepções de “cultura” no e do Maranhão abrangendo as condições de afirmação e legitimação dessas agentes, que numa combinação entre “vocação”, “tradição”, “heranças familiares”, “títulos escolares” e laços de amizades, garantem seus lugares como porta-vozes e sua eficácia no trabalho de categorização do mundo social.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/recp.v8i3.57152