A moralidade das apostas e o problema atual das BETs sob uma visão filosófica nietzscheana
DOI:
https://doi.org/10.5380/petfilo.v26i1.98946Resumo
O fenômeno das apostas, especialmente no contexto atual das “bets” e plataformas digitais, tem gerado debates éticos e sociais. Neste artigo, propõe-se uma análise filosófica da moralidade das apostas a partir da perspectiva de Friedrich Nietzsche, explorando conceitos como a vontade de poder, a crítica à moral tradicional e a noção de criação de valores. Busca-se compreender como as apostas podem ser interpretadas como expressão da vontade humana e, ao mesmo tempo, problematizar os impactos sociais e individuais desse fenômeno na contemporaneidade. Com base na abordagem genealógica de Nietzsche, argumenta-se que o Estado e os influenciadores digitais atuam como criadores de valores morais, definindo o que é aceitável ou condenável nas práticas de apostas. A regulamentação estatal das loterias, iniciada no Brasil em 1784, legitimou as apostas sob a justificativa de financiamento público, consolidando uma moralidade que persiste até os dias atuais. No cenário contemporâneo, os influenciadores digitais desempenham um papel análogo ao dos “ídolos com pés de barro”, promovendo uma ilusão de riqueza e sucesso por meio dos jogos de azar. Neste artigo, propõe-se uma crítica nietzscheana à construção dessa moralidade e seus impactos sociais, questionando os interesses subjacentes à promoção das apostas.
