Registro da predação por microgastrópodes Heleobia australis em estromatólitos da Lagoa Salgada, Estado do Rio de Janeiro, Brasil

Autores

  • Victor Amir Cardoso Dorneles Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná
  • Anelize Manuela Bahniuk Rumbelsperger Universidade Federal do Paraná
  • Robson Tadeu Bolzon Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.5380/geo.v77i0.78641

Palavras-chave:

Microgastrópodes, Microbialitos, Lagoa Salgada, Heleobia australis

Resumo

O presente trabalho objetivou caracterizar as carapaças de moluscos encontradas em estromatólitos da Lagoa Salgada, Rio de Janeiro, e compreender a relação e influência desses pequenos organismos com o desenvolvimento da bioestrutura na qual ocorrem. Uma amostra recente de estromatólito domal foi dividida da base para o topo em cinco fácies, sendo que na fácies trombólito tem-se a ocorrência pervasiva de bioclastos identificados como carapaças de microgastrópodes da espécie Heleobia australis. Foram coletados 500 exemplares de valvas de cor branca, às vezes translúcidas, e com brilho perolado, não apresentando sinais de tração ou arrasto, mas encontrando-se majoritariamente inteiras. As conchas variam em tamanhos de 1,0 mm até 4,0 mm de comprimento com diâmetros variando de 1,0 mm até 2,0 mm. Os exemplares de tamanhos diferentes ocorrem juntos nas cavidades dos estratos. Os ciclos de vida dos H. australis foram estimados por meio de análise da distribuição tamanho-frequência, na qual identificou-se uma população jovem com um provável ciclo de vida curto durante o desenvolvimento estromatolítico. A variação dos tamanhos das conchas encontradas, representando diferentes estágios de vida dos microgastrópodes, sugeriu que esses organismos não foram transportados e trapeados pelo estromatólito, mas viveram naquele ecossistema durante o desenvolvimento da estrutura estromatolítica, predando os microrganismos formadores do estromatólito. Os H. australis foram ainda responsáveis pela intensa bioerosão presente nessa amostra, culminando com o aumento da porosidade daquela fácies. Por fim, as valvas configuram uma das fontes de carbonato na Lagoa Salgada, devido à dissolução bioquímica ocasionada pela atividade microbiana.

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Publicado

12/27/2020

Como Citar

Dorneles, V. A. C., Rumbelsperger, A. M. B., & Bolzon, R. T. (2020). Registro da predação por microgastrópodes Heleobia australis em estromatólitos da Lagoa Salgada, Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Boletim Paranaense De Geociências, 77. https://doi.org/10.5380/geo.v77i0.78641

Edição

Seção

Artigos