MAPA GEOLÓGICO DA PLANÍCIE COSTEIRA ENTRE O RIO SAÍ-GUAÇU E A BAÍA DE SÃO FRANCISCO, LITORAL NORTE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

Rodolfo José ANGULO, Maria Cristina de SOUZA

Resumo



A geologia de superfície da região costeira, entre o Rio Saí-Guaçu e a Baía de São Francisco, litoral
norte de Santa Catarina, é constituída por rochas do embasamento cristalino Pré-Cambriano e pela cobertura
sedimentar do Cenozóico. O objetivo deste trabalho é apresentar um novo mapa geológico dessa cobertura, na
escala 1:50.000, com ênfase na planície costeira. Na área, foram identificadas as seguintes unidades: Fm.
Mina Velha do Mioceno Inferior; colúvios, leques aluviais e depósitos fluviais, do Quaternário indiferenciado;
terraços costeiros do Pleistoceno Superior (120.000 anos A.P.) e do Holoceno (< 7.000 anos A.P.); planícies
paleoestuarinas do Holoceno; dunas, praias e mangues atuais. A distribuição em superfície e subsuperfície e o
empilhamento das fácies dos depósitos costeiros permitem compreender alguns aspectos da evolução geológica
e paleogeográfica da área durante o Quaternário. A ocorrência de extensos terraços do Pleistoceno e
Holoceno, a presença de paleolagunas na retaguarda dos terraços e a ocorrência de sedimentos argilosos
lagunares sob os terraços permitem inferir que, durante os ciclos transgressivos regressivos do Pleistoceno
superior e Holoceno, existiram na região barreiras transgressivas e regressivas. A extensão das planícies
paleoestuarinas indica que durante o máximo transgressivo do Holoceno existiam grandes estuários e lagunas.
A morfologia dos cordões litorâneos evidencia que no Holoceno houve a formação de esporões paralelos à
costa, que teriam crescido para o norte sob o efeito da deriva litorânea predominante. O crescimento desses
esporões teria desviado a desembocadura do Rio Saí-Mirim para o norte. Durante essa migração, o rio erodiu
a parte interna desses esporões e, provavelmente, as barreiras transgressivas do Holoceno.

GEOLOGICAL MAP OF THE COASTAL PLAIN BETWEEN THE SAÍ-GUAÇU
RIVER AND SÃO FRANCISCO BAY, NORTHERN COAST OF THE STATE OF
SANTA CATARINA

Abstract


The studied area is located in the northeastern area of the State of Santa Catarina between 25o57' S and
26o14' S. The surface geology of the area is composed by rocks from the Precambrian basement and from the
Cenozoic sedimentary cover.
In conventional geological maps, the Cenozoic sedimentary package appears as an undifferentiated unit
(e.g. Siga Jr. et al. 1993). Martin et al. (1988) presented the first map of the coastal Quaternary of the State of
Santa Catarina, in 1:200,000 scale. Later, Horn Filho (1997) presented a map, in the scale 1:50,000, of the São
Francisco do Sul region. The objective of this study is to present a new geological map, in the scale 1:50,000, of
the coastal plain between the Saí-Guaçu River and the São Francisco Bay.
In the studied area the following Cenozoic age units were identified: Mina Velha Formation, probably of
Lower Miocene; colluvium and alluvial fans of undifferentiated Quaternary; fluvial deposits of undifferentiated
Quaternary; Upper Pleistocene coastal terraces (120,000 years B.P.); Holocene coastal terraces (< 7,000 years
B.P.); Holocene paleoestuarine plains; dunes; beaches and mangroves.
The distribution on the surface and subsurface and the layers of facies of the coastal deposits allow an
understanding of some aspects of the geological and paleogeographical evolution of the area during the
Quaternary.
There are extensive Pleistocene and Holocene terraces, the presence of paleolagoons on the terrace
backs and also fine lagoon sediments below the terraces makes one infer that during the Upper Pleistocene and
Holocene there were transgressive barrier and regressive beach/foredune ridges in the region, similar to those
described by Lessa et al. (2000) in the State of Paraná. The extension of the paleoestuarine plains indicates that
during the Holocene transgressive maximum there were large estuaries and lagoons. The morphology of the
beach/foredune ridges provides evidence that in the Holocene spits parallel to the coast foreland that would
have grown northward due to the effect of the dominant littoral drift. The growth of these spits caused the
migration of the inlet of Saí-Mirim River more than 6 km northward throughout the last 5,000 years. During this
migration the river eroded the internal part of these spits and the Holocene transgressive barriers.


Palavras-chave


Estado de Santa Catarina; Pleistoceno; Holoceno; barreira transgressiva; barreira regressiva; Santa Catarina State; Pleistocene; Holocene; transgressive barriers; regressive barriers.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v55i0.4280

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR