DESASTRES HIDROLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS EM CURITIBA (PR): DEFLAGRAÇÃO DOS PROCESSOS, SUSCETIBILIDADE E VULNERABILIDADE A INUNDAÇÕES E DESLIZAMENTOS
DOI:
https://doi.org/10.5380/bpg.v84i1.103420Palavras-chave:
Desastres naturais, Chuvas deflagradoras, Morfodinâmica, Área de Preservação PermanenteResumo
O presente estudo objetivou analisar a deflagração e recorrência de desastres vinculados às inundações e deslizamentos em Curitiba (PR) numa interface de condicionantes pluviométricos, geomorfológicos e parâmetros legais das ocupações (APP e Zonamento Municipal) em áreas suscetíveis aos processos morfodinâmicos. Foram caracterizados 63 desastres entre 1980 e 2020, estabelecidos os limiares e probabilidades de chuvas deflagradoras, a suscetibilidade geomorfológica e os aspectos relacionados à vulnerabilidade da população. Em síntese, os resultados apontaram que: a média da precipitação pluviométrica deflagradora de desastres em Curitiba foi de 52,7 mm/24h e 20,6 mm/1h; 41,5% das ocorrências tiveram picos pluviométricos de 2 horas; a probabilidade de recorrência de desastres anuais com eventos intensos foi de 34,5%; 44,6% das APP de margens de rios estão degradadas e há uma antinomia jurídica com o Zoneamento Municipal; a renda média da população que vive em áreas suscetíveis a inundações foi 28% inferior à média municipal; os deslizamentos estão associados aos morrotes da região N/NW em Curitiba.
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