CHAMADA DE ARTIGOS: Para uma crítica do presente: Rumo a modos de vida outros / A critique of the present: Towards other ways of living (Volume 19, n.3, 2022)

Diagnosticar o presente é uma das tarefas da filosofia para vários pensadores. Para Michel Foucault esta é, por excelência, a tarefa da filosofia contemporânea. Trata-se de uma atividade complexa e paradoxal, já que o próprio ato do diagnóstico incita e é incitado pela modificação do presente. Aquilo que pensamos, fazemos e somos hoje é colocado em questão para que possamos pensar, fazer e ser de um modo outro. Assim, essa prática filosófica se afasta da analítica da verdade – cujo problema principal corresponde ao modo pelo qual o sujeito tem acesso à verdade – para se tornar uma experiência sobre as possibilidades de modificação do si mesmo, dos outros e do mundo. No caso da filosofia como diagnóstico do presente, o sujeito e a verdade são sempre resultados de práticas contingentes e situadas. Algumas das atuais análises críticas do capitalismo contemporâneo, das relações de gênero, assim como o pensamento decolonial têm mostrado como a crítica social se articula à problematização de determinados modos de vida. Isso significa que refletir sobre os modos de vida outros no presente é levar adiante um exercício filosófico que busca a criação de formas alternativas de existência, capazes de resistir a nomatividades e imperativos sociais camuflados como necessidades naturais. Com base nisso, convidamos pesquisadoras e pesquisadores de diferentes áreas para contribuírem com este exercício crítico, o qual coloca o tempo presente em questão à medida que o modifica ética e politicamente.

//

Diagnosing the present is a philosophical task of for many thinkers. For Michel Foucault, this is the task of contemporary philosophy par excellence. It is a complex and paradoxical activity, since the very act of diagnosing incites and is incited by the modification of the present. Through a philosophical diagnosis, what we think, do and are today is questioned in such a way that we might come to think, do and be otherwise. Thus, this kind of philosophical practice distinguishes itself from what Foucault has called as the analytics of truth - whose main problem is examining the way by which the subject has access to the truth – and becomes an experience about the possibilities of modifying oneself, the others and the world. Considering this Foucauldian definition of philosophy as a diagnosis of the present, both the subject and truth are understood as the result of contingent and situated practices. Some contemporary critical analysis of capitalism, of gender relations, as well as decolonial thinking have shown us how social criticism is articulated to the problematization of certain ways of living. Thus, critically reflecting on other ways of living in the present means to carry out a philosophical exercise that seeks to create alternative forms of existence, capable of resisting normativities and social imperatives which present themselves as permanent natural needs. Based on this, we invite researchers from different areas to contribute to this critical exercise which puts the present time in question as it modifies it both ethically and politically.