CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS - CADERNOS PETFILOSOFIA Nº 18- FILOSOFIA E ATIVISMO

Projeto editorial para o dossiê da revista: Filosofia e Ativismo

O Cadernospetfilosofia é uma publicação do PET (Programa de Educação Tutorial) do curso de Filosofia da UFPR (Universidade Federal do Paraná), dedicado à divulgação da pesquisa realizada por estudantes de graduação e pós-graduação em Filosofia. Trata-se, assim, de uma revista de estudantes, editada por estudantes (sob a supervisão de professores-tutores) e endereçada a estudantes de filosofia, visando oferecer-lhe um certo modelo e padrão de pesquisa desenvolvida por seus pares no Brasil.

Visando, assim, a atender a todos os estudantes de filosofia interessados em publicar seus textos e também a complementar as atividades de leitura e debate desenvolvidas pelo PET-Filosofia, os artigos publicados no Cadernospetfilosofia estão divididos em duas sessões: uma sessão com artigos de tema livre e uma sessão que compõe um Dossiê no qual se recolhem textos em torno do núcleo temático que norteou os Seminários e o Ciclo de Conferências realizado pelo grupo PET-Filosofia UFPR no decorrer do ano de sua publicação.

Os Seminários e os Ciclos de Conferências  dos anos de 2017 e 2018, que norteiam o número 18 dos Cadernospetfilosofia, foram  pensados a partir da relação entre Filosofia e Ativismo, buscando privilegiar as discussões que colocassem em cena diferentes formas de dominação política e diferentes formas de resistência; consideraram-se não apenas aquelas formas de resistência encerradas nos próprios textos, mas, também, a atividade de resistência, ou de ativismo, propriamente dito, de muitos de seus autores. Foi considerado, ainda, a inquietação constante do grupo com temas que versem sobre a nossa atualidade bem como a interlocução com áreas de conhecimento exteriores e afins às pesquisas tradicionalmente desenvolvidas em filosofia. Nesse sentido, nos pareceu que deveríamos iniciar nosso trabalho por uma discussão sobre o tema da Democracia, tema fundamental para qualquer pensamento sobre formas de poder, de dominação e de resistência.  Assim, da necessidade de refletir sobre os problemas e obstáculos que surgem ao se pensar a democracia a partir do século XX, iniciamos pela leitura de Claude Lefort sobre os perigos do totalitarismo e vimos que a democracia surge, para tal filósofo, quando o poder deixa de estar concentrado no corpo do rei e se constitui enquanto um espaço vazio e aberto a disputas; avançamos para a investigação sobre a possibilidade de constituição da democracia para além de um estado acabado de coisas  (instituições, partidos ou governos), com Ranciere, e, posteriormente, para a existência de mecanismos internos que servem ao Estado e que acabam por minar a efetividade da própria democracia - tal como o estado de exceção, objeto de estudo de Giorgio Agamben. Em seguida, nossas leituras se voltaram para as reflexões e as lutas desenvolvidas por alguns dos atores que se viram ou se veem, ainda hoje, excluídos, nas mais diferentes formas, da disputa democrática. Nesse sentido, abordamos a motivação e o processo de formação, assim como o alcance e os limites do movimento feminista e do apelo à igualdade de gênero, procurando acompanhar as nuances e as lutas das diferentes gerações do feminismo: a visão histórica e existencialista de Beauvoir sobre a constituição da figura da mulher em oposição ao homem; a necessária intersecção entre raça, classe e gênero, apontada por Ângela Davis, e a subversão da ideia de gênero feminino por Judith Butler, uma vez que o termo "mulher" pressupõe uma heteronormatividade que exclui muitas pessoas da luta política. Seguindo nossa investigação sobre esses atores da disputa democrática, nos voltamos para o tema do Colonialismo e Neo-colonialismo. Acompanhamos, nesse sentido, o pensamento de Frantz Fanon, para o qual a dominação, neste caso, a dominação colonial, não se resume à subordinação material dos povos, mas se refere também à forma como afeta o processo de formação da subjetividade dos povos dominados/colonizados. Com Achile Mbembe, tomamos contato com o tratamento da categoria ficcional histórica “Negro”, categoria que se universalizaria na fase neoliberal do capitalismo e que passaria a se referir a todos os indivíduos que são ou podem vir a ser considerados inimigos íntimos do Estado securitário. Tal é o devir-negro do mundo de que trata Mbembe em A Crítica da Razão Negra. Uma vez que muitas das reflexões trabalhadas faziam referência à noção de poder cunhada no pensamento de Michel Foucault, nos voltamos para alguns textos deste autor, particularmente aqueles em que ele nos propõe uma revisão da hipótese do poder repressivo, desenvolvendo sua articulação entre poder e saber e defendendo como a proliferação dos discursos sobre o sexo, desde o século XVIII, seria resultado de um conjunto de práticas de poder que busca produzir verdades, saberes e discursos. Por fim, e como não poderia deixar de ser, procuramos tomar contato com as concepções e ações políticas de alguns povos ameríndios, assim como elas nos foram relatadas por Pierre Clastres, centrando-nos particularmente em sua concepção de poder político; poder que está situado na sociedade e não na figura de um chefe que se colocaria acima desta sociedade – e que se consubstanciaria na própria figura do Estado –, pelo que se abriu, ainda, a possibilidade de, a partir dessa concepção, fazer a crítica de nossas próprias instituições políticas e também de outras formas de se pensar o político.

Por tudo isso, o Dossiê Filosofia e ativismo, dos Cadernospetfilosofia n. 18, está aberto para a publicação de textos que, a partir de autores como Claude Lefort, Jacques Rancière, Giorgio Agambem, Simone de Beauvoir, Ângela Davis, Judith Butler, Frantz Fanon, Achile Mbembe, Michel Foucault e Pierre Clastres, apresentem uma discussão sobre as diferentes formas em que a filosofia se voltou para a política, tanto enquanto exercício de dominação como enquanto modos de resistência e ativismo.  

Equipe Editorial