MONITORAMENTO DE ÁREAS CONTAMINADAS POR HIDROCARBONETOSEXEMPLO DE UMA ÁREA URBANA EM CURITIBA

MAURÍCIO MARCHAND KRÜGER

Resumo



Métodos geoelétricos como o caminhamento elétrico
e a sondagem elétrica vertical, em conjunto com o
método eletromagnético GPR (Ground Penetrating Radar)
foram utilizados na investigação de uma área urbana em
Curitiba, impactada por derrame de diesel e lançamentos
de efluentes oleosos, oriundos de uma oficina de manutenção
de locomotivas. A área de estudo encontra-se
em terreno alagadiço, característico da planície de inundação
do rio Iguaçu. Seu perfil geológico é constituído
por uma camada de solo orgânico com 1,5 metros de
espessura, seguida por uma camada de argila plástica
(0,5 m) e de um pacote arenoso saturado em água (2,5
m). Estas camadas encontram-se sobrepostas a um
espesso pacote argiloso de natureza elétrica muito
condutora e que termina no embasamento cristalino.
Foram levantadas ao todo sete seções de caminhamento
elétrico com arranjo dipolo-dipolo - cada uma com
espaçamento entre eletrodos de 5 e 10 metros - 13 sondagens
elétricas verticais e 21 perfis GPR, utilizando-se
de antenas de 50 e 100 Mhz não blindadas e 100 Mhz
blindadas. Os levantamentos realizados com as antenas
GPR não blindadas de 100 Mhz demonstraram a melhor
relação entre resolução e individualização de feições nos
primeiros 7 metros de profundidade. Os perfis transversais
GPR realizados com este arranjo identificaram nitidamente
uma pluma de natureza condutiva que se inicia
na atual mancha impactada visível em superfície, espalhando-se em concordância com o gradiente hidráulico.
Tal feição é distinguida pela ausência de sinais
de reflexão. Adicionalmente aos levantamentos
geofísicos foram realizadas sondagens de verificação
e coleta de amostras de solo e água subterrânea para
análise química. Os resultados analíticos dos
parâmetros BTXE e PAH´S indicaram a inexistência ou baixos
níveis de contaminação em todos os pontos
amostrados. Conjuntamente foram verificadas grandes
concentrações de bactérias nos pontos que ainda apresentavam
algum teor de contaminação. Tais afirmações
comprovam que os contaminantes outrora presentes
foram biodegradados pelo meio e que, ao invés
de uma pluma contaminante de natureza elétrica
resistiva, como era esperado, foi possível identificar
uma pluma de natureza condutora. Baseado nos resultados,
é possível concluir que os métodos geofísicos
são aptos a delimitar áreas anteriormente impactadas
e monitorar os processos de biodegradação dos
hidrocarbonetos. Tal aptidão pode ser alcançada desde
que respeitadas as corretas metodologias
geofísicas, em acordo com as características do local
de investigação. Por fim, tais ferramentas não podem
prescindir de sondagens de calibração e de análises
químicas comprobatórias.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v52i0.4215

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR