ARCABOUÇO E EVOLUÇÃO ESTRUTURAL DO ARCO DE PONTA GROSSA NO GRUPO SÃO BENTO (MESOZÓICO): IMPLICAÇÕES NA HIDRODINÂMICA DO SISTEMA AQÜÍFERO GUARANI E NA MIGRAÇÃO DE HIDROCARBONETOS NA BACIA DO PARANÁ

MICHAEL STRUGALE

Resumo



O presente trabalho teve como objeto de estudo
as estruturas tectônicas presentes nas rochas do Grupo
São Bento (Mesozóico da Bacia do Paraná), mais especificamente
onde a faixa aflorante dos quartzo-arenitos
das Formações Pirambóia e Botucatu é secionada pelo
Arco de Ponta Grossa, região centro-norte do estado do
Paraná. Análises estruturais descritiva, cinemática e dinâmica
foram utilizadas na interpretação dos dados
fotogeológicos, de campo e modelos digitais de terreno.
O Arco de Ponta Grossa, uma das mais proeminentes
estruturas da Bacia do Paraná, promove intensa
segmentação tectônica das rochas da bacia e é acompanhado
por um dos mais expressivos enxames de diques
do planeta. O mesozóico é a principal época de
atividade do arco, o qual apresenta estreita relação com
os magmáticos e epirogenéticos que levaram à abertura
do Oceano Atlântico Sul, cujos reflexos na bacia são,
além do próprio arco, os magmatitos intrusivos e
extrusivos juro-cretáceos da Formação Serra Geral (Grupo
São Bento). Compreender o arcabouço, evolução,
compartimentação estrutural e Morfoestrutural da área
define o objetivo central da pesquisa. Como objetivos
conseqüentes deste, temos: 1) compreender a influência
do arcabouço estrutural na hidrodinâmica do Sistema
Aqüífero Guarani (um dos maiores do mundo), cujas
rochas-reservatório são representadas pelas Formações
Pirambóia e Botucatu; 2) implicações da evolução estrutural
na migração de hidrocarbonetos no Sistema Petrolífero
I-RB/P (Irati - Rio Bonito/Pirambóia), visto que as
deformações estudadas são contemporâneas aos momentos
críticos deste sistema petrolífero. Contíguo aos
objetivos supracitados, a presença de uma diversidade
de estruturas tectônicas penecontemporâneas na Formação
Rio do Rasto (Grupo Passa Dois - Permiano Superior)
motivou a descrição e interpretação expedita das
mesmas. São relacionadas ao evento orogenético de
colisão do Bloco da Patagônia com a Plataforma sul-americana,
no intervalo Neo-Permiano a Neo-Triássico
(Orogenia Sanrafaélica). A área de estudo apresenta-se
compartimentada por dois conjuntos de estruturas
tectônicas principais, N40-55W e N40-60E (secundária),
além de feições esparsas de direção E-W e N-S. Dois
eventos tectônicos (D1 e D2) foram responsáveis pela
geração e reativação das estruturas rúpteis das rochas
do Grupo São Bento na área: D1) atuou no Eo-Cretáceo
e apresenta regime tectônico predominantemente
extensional, com componente direcional dextral nas falhas
noroeste; responsável pela colocação dos diques;
D2) compreende a maior quantidade de fraturas observadas
nos afloramentos, deformação nos arenitos. Apresenta
regime transtensional e o SHmáx varia entre NE-SW
e ESE-WNW, com intervalo de atuação do Neo-Cretáceo
ao Terciário. O arcabouço estrutural do Arco de Ponta
Grossa promove inflexões e compartimentações nas curvas
potenciométricas do SAG, que somadas ao
condicionante regional do fluxo, controlado pelo mergulho
regional das camadas, condiciona a hidrodinâmica
do aqüífero. Os eventos tectônicos D1 e D2 promovem
dois momentos de formação/destruição de trapas estruturais,
que por sua vez condicionam pulsos de migração
de hidrocarbonetos através das falhas enquanto estas
apresentam-se ativas.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v52i0.4214

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR