CONTEXTO GEOLÓGICO E POTENCIAL MINERAL DO GRANITO SERRA DO PARATIÚ, CANANÉIA, ESTADO DE SÃO PAULO

FERNANDO ANTONIO GUIMARÃES MARTINS

Resumo



O trabalho desenvolvido, e que substancia esta
dissertação de mestrado, teve como principal objetivo
efetuar a caracterização petrográfica, petrogenética,
geoquímica e metalogenética, assim como promover uma
avaliação do potencial mineral do Maciço granítico Serra
do Paratiú. Neste contexto, foram enfocadas as
mineralizações associadas com rochas graníticas em
geral, e, em particular, os vários corpos granitóides
mineralizados do estado de São Paulo, onde se encontram
mineralizações polimetálicas com Cu, Zn, Pb e Sn
(e.g. Granito Correas, Granito Mandira, Granito Guaraú,
Granito São Francisco e Granito Itu). Os modelos
conceituais básicos que nortearam a pesquisa dos metais
acima foram os modelos de depósitos apicais do
tipo greisens e periféricos do tipo filoneanos hidrotermais
e metassomáticos. Para o entendimento e melhor interpretação
dos trabalhos, foi efetuado um mapeamento geológico
do corpo granítico, suas encaixantes e coberturas.
O mapeamento geológico, na escala aproximada
1:38.500, abarcou uma área de 210 km 2 , onde se identificou,
além do Granito Serra do Paratiú, rochas
metamórficas do Complexo Turvo-Cajati, nas quais o
corpo granítico acha-se intrudido; formações sedimentares
Plio-Pleistocências do Grupo Mar Pequeno (Formação
Cananéia e, muito subordinadamente, as Formações
Pariquera-Açu e Ilha Comprida) e coberturas holocênicas
de origem continental, marinha e mista. O maciço
Granítico Serra do Paratiú (Neoproterozóico-Eopaleozóico)
está inserido na Plataforma Sul Americana,
no contexto geotectônico do embasamento cristalino
sul-sudeste brasileiro. Constitui-se de um corpo, de
forma levemente ovalada, com aproximadamente 100 km 2
de áreas, dos quais 30 % acham-se encobertos por sedimentos
cenozóicos. Trata-se de um corpo circunscrito,
discordante e relativamente muito homogêneo, constituído
por biotita monzogranito (granito 3b), que apresenta textura porfírica e, subordinadamente, porfiróide,
com matriz granular hipidiomórfica, de granulação media,
localmente fina e/ou grossa, de tonalidade
esbranquiçada a acinzentada. Em termos gerais constitui-se em média por 30-40% de microclínio, 25-30 % de
quartzo, 25 - 30 % de plagioclásio e 5 - 10 % de biotita.
Como acessórios ocorrem: zircão, epidoto, apatita,
sericita-moscovita, clorita, fluorita, titanita, hidróxidos de
ferro e outros opacos. Muito localmente ocorre biotita
sienogranito (granito 3a). Acha-se intrudido em
metamórficos do Complexo Turvo-Cajati (Paleoproterozóico),
onde, localmente, junto ao contato, verifica-se
biotita-cordieirita horsnfels denotando termo-metamorfismo
de contato. O granito Serra do Paratiú é
fracamente peraluminoso, do tipo "subsolvus", e coloca-se
nos termos finais da série cálcio-alcalina. Os dados
petroquímicos permitem posicioná-lo como um granito
mais pertinente à classe dos granitos pós-colisionais,
variável de pós-tectônico a anarogênico, com dados
composicionais, relativos a alguns elementos (Y, Nb, Rb,
Zr) e óxidos (SiO2 , K2O), que permitem visualizá-lo ora
como tipo A, formado por fusão da crosta inferior, altamente
fracionada, à semelhança do que ocorre com os
granitos australianos Ackley e Sandy cape, cujas características
geoquímicas são compatíveis com os granitos
do tipo A, mas geológica e petrograficamente são respectivamente,
granitos do tipo I e S. A hipótese de que o
Granito Serra do Paratiú seja pós-orogênico é reforçada
pelas evidências de campo (forma do corpo,
metamorfismo de contato) e petroquímicas.Os granitos
da Suíte Serra do Mar, da qual o Granito Serra do Paratiú
faz parte, apresentam idades radiométricas próximas de
580 ± 20 Ma. Concomitantemente ao trabalho de
mapeamento geológico deste Maciço granítico, efetuou-se,
em seu domínio, a coleta de 286 amostras de sedimentos
ativos de corrente, que foram analisadas para os elementos Cu, Zn, Pb, Li, Mo e Bi por absorção atômica;
F por eletrodo de íon seletivo; e Sn por colorimetria; e
106 amostras de concentrados de bateia que foram submetidas
a análises mineralógicas. Como resultado do
tratamento estatístico dos dados obtidos das análises
de sedimentos de corrente, associados àqueles obtidos
com os estudos efetuados nos concentrados de bateia,
foram identificadas nove zonas geoquimicamente anômalas
representadas pelas associações dos elementos
acima, as quais foram objeto de pesquisas prospectivas
de detalhe, porém nenhuma mineralização foi constatada
a elas associadas. A integração de todos os dados
obtidos durante esta pesquisa permitiu concluir que o
Granito Serra do Paratiú corresponde a um granito estéril,
do ponto de vista de exploração mineral, e que sua
esterilidade deve-se a um conjunto de situações desfavoráveis,
tais como: ausência de um protolito enriquecido
em metal; não houve desenvolvimento de uma fase de
pré-concentração durante a evolução magmática; presença
de um conjunto de minerais acessórios cafêmicos e
seqüestradores de metal na fase magmática precoce
(ilmenita, magnetita etc); e liberação precoce da fase
aquosa, prejudicando qualquer compensação e sucesso
de concentração hidrotermal.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v52i0.4207

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR