PROCESSOS MORFODINÂMICOS NO COMPLEXO ESTUARINO DE PARANAGUÁ-PR, BRASIL: UM ESTUDO A PARTIR DE DADOS "IN SITU" E LANDSAT-TM

MAURICIO ALMEIDA NOERNBERG

Resumo



A análise morfodinâmica do sistema costeiro aborda
os processos causadores e transformadores de feições
morfológicas, bem como as forças geradoras desses
processos e seus mecanismos de interação. A grande
variabilidade espacial e temporal dos processos
morfodinâmicos costeiros e estuarinos é um desafio para
o entendimento geral tanto da freqüência quanto da magnitude
desses processos, bem como de seu grau de influência
no transporte e balanço de sedimentos, na
morfologia costeira e nos processos ecológicos. A capacidade
de análise sinóptica das imagens de satélite, dados
históricos e obtidos in situ, e o potencial de análise
espacial do geoprocessamento, foram empregados na
identificação e compreensão dos processos
morfodinâmicos no Complexo Estuarino de Paranaguá
(CEP) e região costeira adjacente. Os processos
estuarinos, mais importantes, relacionados ao transporte
de sedimentos identificados no CEP foram o aporte de
sedimentos fluviais, de escala temporal sazonal e
episódica, e a zona de máxima turbidez, a qual é regulada
pela maré de sizígia. Nas margens arenosas da desembocadura
do CEP, a evolução da linha de costa foi
monitorada, entre 1985 e 2000, por oito imagens do satélite
Landsat. As alterações morfológicas de maior magnitude observadas estão relacionadas à modificação no
padrão anual de ventos, que por sua vez influi no estado
de agitação do mar, sendo a intensificação de ventos
dos quadrantes sul e sudeste indutora de processos
erosivos. Há indícios de que estas alterações no padrão
de ventos estejam vinculadas ao momento de inversão
entre os eventos El Niño-La Niña. O comportamento
das correntes na região costeira foi descrito, e o
transporte de sedimentos por tração, estimado. O transporte
por tração dos sedimentos de fundo ocorre transversalmente
e longitudinalmente à linha de costa. As
correntes de maré são as causadoras do transporte
transversal à costa, o qual predomina no sentido costa
afora. O transporte longitudinal à costa ocorre quase
exclusivamente em momentos de intensa energia de
ondas e preferencialmente para norte. Três tipos de processos
costeiros (pluma estuarina, correntes de retorno
e frente de superfície), relacionados a transporte de
sedimentos, puderam ser descritos e analisados a partir
de uma imagem Landsat-7. O CEP é particularmente
vulnerável a eventos de grande energia que nele atuam,
principalmente na escala temporal "evento" (dias a meses)
e age como um fornecedor de propriedades (sedimentos,
nutrientes, poluentes) para a plataforma rasa.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v51i0.4190

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR