ASPECTOS GEOLÓGICOS, GEOQUÍMICOS E GENÉTICOS DAS MINERALIZAÇÕES DE CALCITA E ROCHAS ENCAIXANTES DA SERRA DO CARUMBÉ, VALE DO RIBEIRA-PR

GERSON CAETANO VENUSO

Resumo



A pesquisa desenvolvida, que resultou na elaboração
desta dissertação, teve como objeto as mineralizações
de calcita e as rochas encaixantes situadas na Serra do
Carumbé, município de Adrianópolis, região do Vale do Ribeira-PR. Os principais objetivos do estudo estiveram
direcionados para caracterizar as mineralizações de calcita
e as rochas metacarbonáticas encaixantes nos diversos
aspectos, geológicos, mineralógicos, litogeoquímicos,
petrográficos, genéticos e econômicos. Os estudos se concentraram
em quatro depósitos de calcita, encaixados em
mármores calcíticos da Formação Votuverava, do Grupo
Açungui. Os corpos mineralizados constituem veios, lentes
e bolsões, que apresentam espessuras variáveis entre
1,00 e 4,10 m. Três destes corpos se dispõem, na maior
parte de suas extensões, de forma concordante com S 0
dos mármores encaixantes. Um dos corpos se apresenta
discordantemente em toda a extensão. A geologia da área
estudada compreende, além dos mármores calcíticos, rochas
meta detríticas (pelíticas a psamíticas), representadas
por filitos, quartzo-clorita-sericita xistos e quartzitos.
Intercalados nos metassedimentos, ocorrem diversos sills
de anfibolitos proterozóicos. No final do Ciclo Brasiliano,
ocorreram intrusões de rochas graníticas, com a geração
do stock Varginha. Ocorrem também diques de doleritos
de idade cretácica. Além de um controle litológico, as
mineralizações são também controladas estruturalmente
por planos de falhas, fraturas e interfácies de acamamento.
Os contatos entre os corpos calcíticos e os mármores
encaixantes geralmente são bruscos, contudo são observados
halos dolomitizados e sericitizados, resultantes do
processo de alteração hidrotermal responsável pela formação
das mineralizações de calcita. Foram encontradas também
brechas cársticas de diferentes dimensões, preenchidas
por calcita. Os minerais de calcita apresentam diversos
hábitos e feições texturais, destacando-se calcita
euédrica de hábitos romboédrico e prismático. Cobrindo os
romboedros ocorre calcita de hábito fibroso e em algumas
porções a calcita ocorre com estruturas bandadas. Também
ocorre de forma subordinada calcita com feições
cársticas, formada por processos de dissolução a partir dos
outros tipos. Quanto à cor, os tipos de calcita da Serra do
Carumbé são predominantemente brancas e beges. Análises
químicas de calcita revelaram alta pureza em todos os
tipos, não havendo diferenças significativas quanto aos conteúdos
de CaO, que variam de 55,30 a 56,25%. Calcita
coletada próxima às bordas dos veios é mais magnesiana,
devido à contribuição de Mg das rochas encaixantes, que
apresentam calcita mais rica em MgO. A calcita de três
depósitos mostra uma grande similaridade geoquímica entre
si, enquanto que a calcita de um quarto corpo, hospedada
em um nível carbonático superior, apresenta tendência
mais magnesiana na composição e a presença de impurezas
representadas por SiO2, Fe2 O 3, Al2 O 3, B e Na. Os mármores
encaixantes dos depósitos de calcita apresentam
composição química que favorece o seu uso na indústria de
cimento, cal, siderurgia e outros. A calcita dos depósitos,
devido à sua alta pureza química, pode ser utilizada para
fins mais nobres, como na indústria de vidros, inseticidas,
borrachas e outros. Estudos de isótopos de carbono e de
oxigênio foram realizados em calcita dos depósitos e dos
mármores calcíticos encaixantes. Os valores obtidos de
d13 C nos depósitos referidos a PDB variam de -9,02 a -
12,24 %o enquanto que os valores d 18 O, referidos a SMOW,
variam de 24,48 a 25,23 %o. Para os mármores encaixantes,
os valores de d13 C variam de -4,03 a 1,42%o e os valores
d18O de 20,71 a 23,00%o. Os valores isotópicos indicam
uma gênese hidrotermal para a calcita dos depósitos, com
soluções de água doce, enquanto que os valores encontrados
nos mármores calcíticos comprovam a formação dos
calcários em mares pré-cambrianos. Os indicadores geológicos
dos corpos de calcita, as características
mineralógicas, geoquímicas e isotópicas das mineralizações,
evidenciam que a jazida da Serra do Carumbé está constituída
por vários depósitos epigenéticos de origem
hidrotermal. Propõe-se um modelo genético com circulação
de soluções hidrotermais, similar ao tipo Mississippi
Valley, referente aos depósitos de Pb-Zn do Vale do Ribeira,
porém, com mineralizações de calcita desprovidas de
sulfetos.


Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v51i0.4189

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR