DINÂMICA SEDIMENTAR DO CANAL DA GALHETA, VIA DE ACESSO AO PORTO DE PARANAGUÁ

MARCELO RENATO LAMOUR

Resumo



A baía de Paranaguá está localizada no litoral centro-norte do Paraná. Três canais naturais denominados
Norte e Sueste dão acesso ao oceano Atlântico, ao norte
da Ilha do Mel, e da Galheta ao sul da mesma ilha.
Este último é a principal via de acesso ao porto de
Paranaguá. Para que sejam mantidas profundidades seguras
de navegação, é necessário que sejam feitas
dragagens periódicas. Os objetivos principais deste trabalho
foram o de caracterizar os sedimentos de fundo do
canal e suas adjacências entre 1972 e 1998; acompanhar
as variações morfológicas que ocorreram na superfície
de fundo; quantificar taxas de sedimentação para os
trechos com assoreamento crítico e compreender os processos
que transportam os sedimentos na desembocadura,
sul da baía. Os sedimentos do canal da Galheta
são compostos predominantemente por areias finas, moderadamente
a bem selecionadas, com assimetria muito
negativa, sendo leptocúrticas no setor externo, e extremamente
leptocúrticas a muito leptocúrticas no setor
interno. A direção preferencial de chegadas de ondas é
do quadrante SE e a deriva longitudinal no sentido NE. O
fluxo sedimentar que se desloca ao longo do litoral
paranaense divide-se em dois fluxos principais: 1) no setor
externo um, contorna o lobo terminal do delta de vazante,
flexionando o eixo navegável do canal com uma frente
de avanço preferencial. Apesar das tentativas de retificação
deste eixo, pelas dragagens, uma curvatura persistiu
ao longo das décadas; 2) no setor interno o fluxo
sedimentar adentra o estuário, seguindo próximo à margem
do balneário Pontal do Sul, sendo redirecionado pelas
correntes de vazante provindas do canal da Cotinga, para
o canal da Galheta. Com a perda de energia das correntes
de maré, no trecho mais largo do estuário, os sedimentos
depositam-se formando o banco interno. As taxas
de sedimentação obtidas para o setor externo e interno
variaram em torno de 20.000 m 3 /mês, sendo necessário
um maior conjunto de dados, para a confirmação
de um possível padrão de assoreamento no canal.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v51i0.4181

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR