MODELAGEM GEOESTATÍSTICA DA MINA SAIVÁ EM RIO BRANCO DO SUL-PR

ERNESTO GOLDFARB FIGUEIRA

Resumo



O presente trabalho consiste na aplicação e discussão
de técnicas geoestatísticas para o entendimento
da variabilidade espacial dos tipos de minério, constituintes
da Mina Saivá. Este depósito localiza-se no município
de Rio Branco do Sul-PR, Brasil, e pertence à Cia. de
Cimento Portland Rio Branco - VOTORANTIN. Constituise
de uma seqüência de rochas do proterozóico médio a
supeior, pertencentes ao Grupo Açungui, Formação
Votuverava. Os principais litotipos são metacalcários,
metadolomitos, metamargas e filitos, representativos de
uma seqüência plataformal carbonática, metamorfizados
em baixo grau. Os dados utilizados para esta análise são
resultantes de uma campanha de prospecção realizada
na década de 70, cujos testemunhos de sondagens foram
analisados quimicamente para diversos óxidos, a saber:
Si, Al, Fe, Ca, Mg e K. Pela forma sistemática como foi
feita a pesquisa, estas amostras têm uma posição espacial
conhecida dentro do corpo de minério. A análise estatística
descritiva para estas variáveis mostra que, embora
algumas distribuições sejam levemente assimétricas, o
coeficiente de variação é baixo, indicando dados com valores
com pouca margem de erro. As condições de
estacionariedade evidenciam que os dados são homogêneos,
ora na média ora na variância. A variografia
exploratória, realizada em duas e três dimensões, mostra
que, devido a uma forte heterogeneidade na amostragem,
somente os variogramas direcionais ao longo dos furos de
sondagem evidenciam uma estrutura de covariância espacial.
A modelagem dos variogramas indica que há dois
comportamentos de variabilidade espacial: o primeiro evi-
denciado nos variogramas construídos com lags menores,
cujos alcances estão em torno de 10 a 20 metros,
associados a uma variabilidade litológica de menor escala
e um segundo para lags maiores, com alcance em
torno de 40 a 60 metros, que representam a variabilidade
espacial em maior escala. Alguns variogramas sugerem
a presença de uma segunda estrutura, cujos alcances
atingem em média 60-100 metros. As estimativas realizadas
por krigagem ordinária foram efetuadas para blocos
de vários tamanhos, com o intuito de verificar as diferenças
das médias dos valores estimados, bem como o
ganho operacional e visual para cada modelo. O modelo
de bloco de dimensão 10x10x15 m foi o que se mostrou
mais adequado para a representação espacial da variáveis,
que, além de mostrar um erro de estimativa aceitável,
é o modelo que mais se aproxima da unidade de
lavra utilizada atualmente na Mina Saivá. Os resultados
obtidos das krigagens 3D evidenciam dois controles na
variação dos teores: 1) em maior escala, provavelmente
um controle litológico-sedimentar, que teria condicionado
a individualização de grandes faixas NE, com alto e
baixo MgO, respectivamente, nas quais o SiO apresenta
uma distribuição mais constante; 2) em menor escala,
provavelmente um controle litológico-metamórfico, que estaria
representado pela repetição de pequenas faixas ou
ciclos em torno de 30 a 40 metros, observados em um
trend N30-40E com caimento para NW; tal variação de
teores está refletida tanto no Mg quanto na Si, mas principalmente
na Si, por esta apresentar a característica de
maior mobilidade durante processos de metamorfismo.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/geo.v51i0.4174

Boletim Paranaense de Geociências. ISSN: 0067-964X
 
 
Programa de Pós-Graduação em Geologia da UFPR